A estrutura de ballet digitallique envolve a criação de um banco de dados baseado no método Laban de análise do movimento. Entre outras contribuições significativas para o estudo da dança e do movimento, Rudolf Laban desenvolveu um sistema para observar e descrever o movimento humano em toda amplitude de suas possibilidades. Chegou em uma classificação sintética e abrangente que chamou de ações de esforço:
Torcer, Pressionar,Talhar, Socar, Flutuar, Deslizar, Sacudir e Pontuar.
Os movimentos realizados pela bailarina real, segundo tais relações entre espaço‐tempo‐peso-fluência foram coreografados em módulos de movimento.
O banco de dados do programa é constituído desses módulos transformados em informação digital através do sistema de motion capture.

foto: Maíra Spanghero
Nos parece que essa é a primeira vez que esta tecnologia é utilizada para um trabalho de dança realizado no Brasil. O sistema de motion capture, ou MoCap, ainda sem uma versão livre exigiu que a equipe técnica de ballet digitallique realizasse uma conversão do código proprietário utilizado na captação para que seus arquivos pudessem rodar nos softwares livres OpenFrameworks, Python e Blender empregados no sistema construído especialmente para a mostra.
A instalação interativa acontece em duas etapas:
1. Os visitantes tem suas silhuetas captadas no piso do 1o subsolo

foto: Inês Correa
foto: Inês Correa
2. No 2o subsolo, uma estrutura de 4 painéis é onde acontece o ballet das silhuetas digitais.

foto: Inês Correa
Cada contorno extraído dos visitantes entra em cena nesse espaço virtual, incorporando movimentos expressivos que se articulam segundo parâmetros atualizados pelas relações espaciais entre as silhuetas bailarinas.
A proposta coreográfica estipula as diferentes dinâmicas possíveis, mas sua atribuição à cada bailarino que entra em cena, e a relação entre esses no tempo e no espaço virtual, compõem inúmeras configurações coreográficas/musicais desse ballet digitallique.
A sessão de ballet digitalique tem início com o primeiro registro de silhueta e sua respectiva movimentação e composição musical no espaço virtual. As coreografias que emergem são resultado tanto da programação, quanto de circunstâncias determinadas pelo comportamento os bailarinos no momento em que interagem. A partir de então, a dança nunca termina, pois, saídas e entradas em cena vão se sucedendo conforme novas silhuetas são captadas. Nos intervalos de tempo em que não acontecem entradas de novas silhuetas, o elenco que já está no sistema se organiza em diferentes exercícios coreográficos.
A proposta musical, por sua vez, também é modular, espacializando-se conforme os bailarinos se deslocam no espaço dos quatro painéis. Sua construção acontece em tempo real acompanhando as passagens pelas ações de esforço dos bailarinos e seu trajeto em cena.
Ficha técnica
Criação e direção: Lali Krotoszynski
Assessoria em Laban e bailarina MoCap: Lenira Rengel
Engenharia e design de software: Ricardo Palmieri
Equipe técnica: Ricardo Palmieri, Roger Sodré e Angelo Benetti
Consultoria de scripts python: João S. O. Bueno
Motion Capture: RPM Produtora e Digital Spirit
Música: Dudu Tsuda
Documentação do making of em foto e vídeo: Maíra Spanghero, Ricardo Palmieri e Lali Krotoszynski
Documentação fotográfica e imagens em vídeo da exposição: Inês Correa
Assitência: Diego Avila
Blog: Lali Krotoszynski e Rogério Salatini
Agradecimentos especiais: Karina Montenegro, Luiz Camara e o fado madrinho Renato Cohen
