Lali Krotoszynski
Ballet Digitallique Pocket, 2010
Computer art
“ballet digitallique é um trabalho de animação em tempo-real. Na sua versão Master, compõe-se de duas interfaces: uma que capta silhuetas dos visitantes da exposição e outra que as “veste” de estruturas tridimensionais em movimento, ou bones (ossos) que são registros de módulos coreográficos realizados por uma bailarina digitalizados pelo sistema Motion Capture. Resultado: as silhuetas entram e saem dançando na tela configurando diferentes composições coreográficas. O ballet vai acontecendo conforme os módulos de movimentos se encaixam uns nos outros ao longo da atuação de cada uma das silhuetas e como produto das relações espaçotemporais entre elas. A versão pocket conta com um elenco selecionado de silhuetas pré-captadas que interagem na projeção no espaço da Galeria do Meio, uma espécie de metáfora da própria exposição que se abre para inúmeras articulações estéticas e conceituais entre as obras dos artistas ali reunidos.”
Sobre a GALERIA DO MEIO
O Projeto “GALERIA DO MEIO” é um projeto de ateliê, cujo objetivo é estabelecer um diálogo entre poéticas

contemporâneas. Dividindo o espaço de trabalho há mais de 17 anos, os artistas Adriana Rocha e Luiz Sôlha resolveram abrigar, no amplo galpão que dispõem na Vila Madalena, mostras esporádicas de outros artistas, pintores, escultores ou fotógrafos, ao mesmo tempo e no mesmo ambiente em que continuarão a realizar os seus próprios trabalhos.
A idéia da Galeria do Meio vem da própria configuração retangular do espaço, “o que permite que nós continuemos trabalhando, enquanto o artista convidado expõe seu trabalho na maior parede que se une às nossas em ângulos retos”. Este Projeto surge do desejo de fomentar outros tipos de vínculos de apreciação e amostragem das artes plásticas, abrindo o espaço íntimo do ateliê ao público em frentes distintas, que são o momento do artista em seu trabalho diário e o momento do artista expondo o seu trabalho acabado.

Foi assim que surgiu a idéia da exposição 2+6. O primeiro convite foi feito à Sonia Guggisberg que, por sua vez, convidou mais cinco artistas para apresentarem seus trabalhos durante o período da Bienal de São Paulo. A curadora Rejane Cintrão também foi convidada pelos artitas para participar dos encontros e definir o espaço da exposição conjuntamente.
2+6, portanto, reúne artistas que apresentam obras selecionadas para o espaço da galeria, ocupando-a de maneira livre, mas de forma a manter a atividade do atelier, já que Sôlha e Adriana continuarão trabalhando normalmente durante o período da exposição, dando ao público visitante a oportunidade de conhecer obras inéditas de oito artistas e, ao mesmo tempo, conferir o processo de trabalho de dois deles. Todos os artistas residem em São Paulo.
A mostra réune diversas formas de expressão artística (pintura, escultura, vídeoinstalação e instalação sonora), e a seleção das obras foi realizada em conjunto e de acordo com a disponibilidade do espaço.
Adriana Rocha
Maze, 2010, Pintura e Vídeo-instalação

“Utilizo a idéia de labirinto como mapa de trabalho. Labirinto que prevê a percepção através de inferências, a migração de imagens, o hibridismo dos meios e o que eu chamo de “tangenciamentos”, ou seja, diálogos que acontecem entre visibilidades e/ou conteúdos. Da mesma forma que resolver o labirinto não significa chegar ao seu fim, mas percorrê-lo todo, na obra isso se traduz pela restituição de seu percurso perceptivo, suas possíveis variantes, sem edições, sem selecionar ou excluir partes que a constituíram, deixando ao observador a tarefa de inferir, através de múltiplas colagens, aquilo que é da sua essência. As imagens que escolho para usar, são menos importantes por seu significado original, do que por servirem como marcas desse Tempo. Muito mais do que o ato de pintar, a mim interessa a manipulação dessas imagens e o que elas me dirão ao final. Lidar com esses vestígios, manipular imagens para que falem desses rastros, dessas pegadas.”
Dudu Tsuda
Volume, 2008/2010, instalação sonora
Volume é uma instalação sonora que criará sensações volumétricas e espaciais com som, ora impingindo peso e rigidez, com sonoridades graves e profundas, ora trazendo leveza e movimento, com transposição de objetos sonoros no espaço perceptivo e sonoridades agudas. Imerso num fluxo contínuo de sensações espaciais. Em Volume o interator será convidado a perceber o próprio espaço da exposição de uma outra forma.
Eduardo Verderame
Gigante por um dia, 2003/2010

Recortes de madeira, pintura e intarsio, dimensões variáveis “Gigante por um Dia” é um conjunto de 9 trabalhos cujo tema refere-se aos fósseis de dinossauros e foi iniciada em 2003. A atração que estes fósseis exercem sobre os humanos foi a idéia inicial do trabalho. Juntou-se a esta o fato destes fósseis serem objetos raros, proibidos e desejados. Isso me levou a utilizar sua representação como uma metáfora do próprio objeto da arte. Os trabalhos que seguiram utilizaram meios como pintura, desenho e instalação, além de uma série de recortes em madeira, pintura e intarsio.”
Luiz Sôlha
In-Visíveis, 2010 , Óleo s/tela, dimensões variáveis
“O projeto IN VISÍVEIS, vem numa sequência das idéias experimentadas no projeto A TINTA PINTADA, onde o conteúdo do tubo da tinta a óleo é revelado e retratado em pintura a óleo sobre tela, em grandes dimensões. Ao espremer o tubo ou qualquer embalagem de tinta, eu revelo seu conteúdo, sua essência. No lugar das tintas eu agora revelo o conteúdo dos frascos de produtos de beleza pessoal e de assepsia, como pastas de dentes, xampus, sabonetes líquidos, gel de cabelo, espuma de barbear, cremes, etc.
Fotografo na luz do dia estes produtos, que componho com cuidado e critério de escolhas de
cores e texturas, sobre um espelho, antecipando uma pintura, que reflete o céu e ilumina as transparências realçando as cores e as matérias destes produtos. Faço as pinturas obedecendo as fotos originais, buscando recortes nestas imagens que instiguem os sentidos, porque depois de utilizados, estes produtos desaparecem, permanecendo somente os efeitos produzidos por sua utilização, tornando-se portanto “invisíveis”.
Eu dou títulos a estas pinturas remetendo à História da Arte, lembrando os títulos dos quadros de Picasso: “Demoiselle D’Avignon”, ou os quadros de Ingres: “A Banhista” e assim por diante. A minha pintura propõe esta relação com o belo mas que repensa o papel da industria e do consumo no mundo hoje: “BELEZA REVELADA”, “BELEZA QUE SE COMPRA”, “CONTÉM BELEZA”. O produto de beleza tornado belo em pintura, um retrato da indústria do belo em sua essência. Os aromas serão sugeridos por uma pequena instalação contendo essências aromáticas, plugada na tomada elétrica”
Marcus Bastos
procedure . Director, 2008

video mashups em loop
Série de vídeos que combinam cenas de filmes de cineastas contemporâneos importantes com material bruto produzido para o curta-metragem “radicais livre(o)s”. o material é editado conforme um procedimento compatível com a cinematografia do diretor escolhido.
Timelining wenders
cenas de “land of plenty”, filme que tem como pano-de-fundo a paranóia pós-11 nos EUA, são misturadas a um entrevista com fred forest em que ele relata como mudou a percepção do conceito de liberdade após maio de 68.
mashing negri up
cenas de performance de daniela castro subindo e descendo uma escada e fumando durante uma entrevista fala, misturadas com trechos de um documentário que mostra o momento em que o filósofo toni negri é liberdado após ter sua prisão decretada quando retorna voluntariamente para a Itália, país que tinha deixado nos anos 70 acusado de terrismo contra o estado.
remote controling pasolini
cenas de homens lavando uma rua, ou detalhes de líquidos, misturados ao trecho de “teorema” em que uma mulher enterrada chora, molhando o solo com suas lágrimas. as imagens são montadas dentro de um aparelho de televisão.
Sonia Guggisberg
Barco, 2010, Vídeo-instalação
e Buraco, 2010, Vídeo-instalação
Apresento duas pequenas vídeo-instalações como proposta. Na vídeo-instalação Buraco, o vídeo de um buraco submerso é projetado no fundo de um latão de ferro antigo atravessando a superfície do fundo e gerando um buraco virtual.
Em Barco a força do movimento em vídeo se contrapõe á imagem parada sobreposta. A questão do movimento se mostra como um jogo de tensões gerado pela imagem reproduzida do movimento parado. Um frame do vídeo é retirado e reproduzido sobrepondo a imagem do vídeo.
A superfície passou a ser uma questão de interpretação. A idéia de (I)mobilidade mostrada em uma série de vídeo instalações de 2007 a 2010 onde os nadadores têm seus movimentos contidos pelo confinamento, por uma força contrária, se repete aqui porem em outra dimensão de força. Um barco repleto de pessoas luta contra a força da pesada da correnteza.
Zezão
José Capela ou Zezão, como é mais conhecido, é autodidata. Aprendeu a pintar nas ruas, onde seu trabalho pode ser visto, principalmente nos subterrâneos da cidade, entre os bueiros e canais de águas pluviais que correm em direção aos rios Tietê e Pinheiros. Zezão fará uma Instalação sobre a parede de entrada da Galeria do Meio.